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Tratamentos

Fungos nos pés: o guia completo da onicomicose e da frieira (tinea pedis)

Dos primeiros sinais ao tratamento baseado em evidências: entenda como os fungos atacam unhas e pele dos pés, por que o diagnóstico correto importa e o que realmente funciona.

Portal Podologia18 Ago 202612 min de leitura
Fungos nos pés: o guia completo da onicomicose e da frieira (tinea pedis)

Os inimigos invisíveis dos pés

As micoses dos pés são causadas principalmente por fungos dermatófitos — micro-organismos que se alimentam de queratina, a proteína que forma pele, unhas e cabelos. O mais frequente é o Trichophyton rubrum, responsável pela maioria dos casos em todo o mundo. Esses fungos prosperam em ambientes quentes, úmidos e escuros — exatamente o interior de um calçado fechado.

Há duas apresentações principais nos pés:

  • Tinea pedis (frieira ou "pé de atleta"): infecção da pele, mais comum entre os dedos
  • Onicomicose: infecção das unhas, a mais persistente e difícil de tratar

Quem está mais sujeito

A onicomicose atinge cerca de 10% da população geral, e a frequência sobe muito com a idade — entre idosos, pode chegar à metade das pessoas, segundo o Manual MSD. Fatores de risco bem estabelecidos:

  • Idade avançada e crescimento lento das unhas
  • Diabetes mellitus e problemas de circulação
  • Imunossupressão
  • Traumas repetitivos nas unhas (esportes, calçados apertados)
  • Hiperidrose (suor excessivo nos pés)
  • Frequência a vestiários, piscinas e saunas sem proteção
  • Histórico familiar

Importante: a tinea pedis não tratada funciona como porta de entrada para infecções bacterianas como a erisipela — mais um motivo para não ignorar uma "simples frieira".

Como reconhecer

Tinea pedis

  • Coceira, descamação e maceração entre os dedos (forma interdigital, a mais comum)
  • Descamação difusa e ressecamento em "mocassim" na planta e bordas do pé
  • Pequenas bolhas (forma vesiculosa)
  • Fissuras dolorosas e mau odor

Onicomicose

  • Mancha branca ou amarelada que avança da borda para a raiz da unha
  • Espessamento e endurecimento da lâmina
  • Unha quebradiça, esfarelando na ponta
  • Descolamento da unha do leito (onicólise)
  • Acúmulo de resíduo sob a unha

Por que confirmar o diagnóstico antes de tratar

Estudos dermatológicos mostram que quase metade das unhas com aparência de micose tem outra causa: psoríase ungueal, líquen plano, traumas repetitivos ou onicólise de outra origem. O exame padrão é simples — exame micológico direto e cultura de material da unha — e evita meses de antifúngico desnecessário. Na pele, o quadro clínico costuma ser mais característico, mas casos atípicos também merecem confirmação laboratorial.

Tratamento baseado em evidências

Micose de pele (tinea pedis)

  • Antifúngicos tópicos (terbinafina, azólicos, ciclopirox) por 2 a 4 semanas resolvem a maioria dos casos
  • Casos extensos, recorrentes ou em "mocassim" podem exigir antifúngico oral prescrito por médico
  • Secar bem os pés e tratar também o calçado são partes do tratamento

Micose de unha (onicomicose)

O tratamento acompanha o crescimento da unha — 6 a 12 meses — e deve ser escolhido conforme a extensão:

  • Casos leves a moderados (sem atingir a matriz): esmaltes e soluções tópicas — amorolfina, ciclopirox e, mais recentemente, efinaconazol, desenvolvido para penetrar melhor a lâmina ungueal
  • Casos moderados a graves: antifúngicos orais — terbinafina é considerada padrão-ouro; itraconazol em esquemas de pulso é alternativa. Exigem prescrição e acompanhamento médico
  • Laser (Nd:YAG 1064 nm): adjuvante útil, especialmente para quem não pode usar medicação oral
  • Desbridamento podológico: a redução mecânica da unha espessada pelo podólogo diminui a carga fúngica e melhora a penetração dos medicamentos — estudos mostram que a combinação acelera os resultados

O que NÃO funciona

  • Água sanitária, alho, vinagre puro e "receitas milagrosas" não têm eficácia comprovada e podem causar queimaduras e dermatites
  • Esconder a unha com esmalte comum ou unha postiça piora o quadro, abafando ainda mais o fungo

Prevenindo a reinfecção

Até 25% dos casos tratados com sucesso recidivam. Para quebrar o ciclo:

  • Seque os pés completamente após o banho, inclusive entre os dedos
  • Alterne pares de calçados (24 a 48 h de descanso entre usos)
  • Higienize ou troque palmilhas; use antifúngico em pó ou spray nos sapatos
  • Meias limpas todos os dias, de tecidos que absorvem umidade
  • Chinelos em áreas públicas úmidas
  • Não compartilhe alicates, lixas ou toalhas
  • Escolha estabelecimentos que esterilizam instrumentais em autoclave

O papel do podólogo e quando procurar o médico

O podólogo realiza a avaliação inicial, o desbridamento técnico das unhas, orienta a prevenção e acompanha a evolução mês a mês. O dermatologista entra no circuito para confirmar o diagnóstico laboratorial e prescrever antifúngicos orais quando necessários. O trabalho conjunto é o caminho mais rápido para uma unha saudável.

Referências

  • Manual MSD — Onicomicose e Tinha dos pés (edição para profissionais)
  • Revisões sobre avanços no tratamento da onicomicose publicadas em periódicos de dermatologia (2024–2025)
  • Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia — Novos avanços no tratamento da onicomicose
  • Estudos brasileiros sobre pulsoterapia de terbinafina (UFPR)